Mais de 64 entidades e organizações dos movimentos sociais,
sindicatos e igrejas realizaram, nos últimos anos, dois Plebiscitos
Populares Nacionais. Foi realizada em setembro de 2002 uma votação
sobre a negociação da Alca (Área de Livre Comércio
das Américas). O resultado foi entregue ao Supremo Tribunal Federal,
ao Congresso Nacional e à Presidência da República.
Mais de 10 milhões votantes participaram. A principal reivindicação
era que o governo FHC saísse das negociações para
a Alca. Mas os organizadores também pediram que o Congresso convocasse
um plebiscito oficial sobre o tema. Resultado do plebiscito contra a
ALCA: 98% dos votos foram contra a assinatura do governo brasileiro
neste tratado. Em 2000, fizemos um plebiscito sobre a dívida
externa, que teve 6 milhões de votantes e foi dado um não
ao pagamento da dívida.
Os resultados expressivos de participação popular dos
plebiscitos revelaram ser este, um importante instrumento de soberania
e democracia participativa.
Em novembro de 2006, estas mesmas organizações, reunidas
em Brasília, avaliaram e entenderam que o processo de privatização
da Cia. Vale do Rio Doce, deu-se de forma fraudulenta, sem transparência
e constituiu-se numa afronta a todo o povo brasileiro que se viu vilipendiado
de um patrimônio que lhe pertence. Diante disto, mais uma vez
a foi organizado um Plebiscito Popular para que a população
pudesse opinar sobre esta questão fundamental de soberania nacional.
Após um processo de estudo, formação e preparação
sobre o tema junto aos mais diversos setores da sociedade, foi realizado
o 3º Plebiscito Popular de 1º a 9 de setembro. O tema central
do Plebiscito foi sobre a validade ou não do leilão da
Cia. Vale do Rio Doce, privatizada em maio de 97, durante o governo
de Fernando Henrique Cardoso. Foi vendida por R$ 3,3 bilhões,
uma quantia menor do que a Vale tem de lucro a cada três meses.
Estudos da época revelaram que o patrimônio da Companhia
era calculado em R$ 92,64 bilhões: 28 vezes o valor pela qual
foi vendida. Maior exportadora mundial de minério de ferro atua
em 14 estados do Brasil e possui 9 mil quilômetros de estrada
de ferro. É proprietária de 10 portos e está presente
nos cinco continentes. Detêm importantes e estratégicas
jazidas de minérios, algumas com reservas somente em solo brasileiro.
A cerca do tema da Vale, outros problemas relacionados à soberania
nacional e direitos sociais foram amplamente abordados.
E neste exercício de democracia participativa que é o
plebiscito, participaram: 3.729.538 votantes, sendo que os resultados
nacionais das votações foram os seguintes:
1ª Pergunta: Em 1997, a Companhia Vale do Rio Doce - patrimônio
construído pelo povo brasileiro - foi fraudulentamente privatizada,
ação que o governo e o poder judiciário podem anula.
A Vale deve continuar nas mãos do capital privado?
Total: 3.729.538
Opinaram NÃO 94,5% - 3.523.843
2ª Pergunta: O governo deve continuar priorizando o pagamento
dos juros da dívida externa e interna, em vez de investir na
melhoria das condições de vida e trabalho do povo brasileiro?
Total: 2.492.360
Opinaram NÃO 92,1% - 2.296.547
3ª Pergunta: Você concorda que a energia elétrica
continue sendo explorada pelo capital privado, com o povo pagando até
oito vezes mais que as grandes empresas?
Total: 2.536.136
Opinaram NÃO 93,7 % - 2.377.096
4ª Pergunta: Você concorda com uma reforma da previdência
que retire direitos dos trabalhadores/as?
Total: 2.895.965
Opinaram NÃO 93,4% - 2.703.931
Diante desta grande pesquisa qualitativa e quantitativa popular, as
entidades organizadoras exigem:
A anulação do Leilão da Cia. Vale do rio Doce.
Um projeto nacional de desenvolvimento com políticas alternativas
às que vêm sendo propostas pelo FMI. Um projeto soberano
que exija políticas econômicas (fiscal, monetária
e comercial) autônomas sem a ingerência do FMI. Só
devem ser consideradas aceitáveis as metas que sejam definidas
com a sociedade brasileira, almejando o projeto nacional de desenvolvimento.
Um novo modelo energético para o Brasil, que contemple a participação
da população no seu planejamento, decisão e execução;
4. Defendemos uma Reforma na Previdência que incorpore a ampliação
da rede de proteção social prevista na Constituição
Brasileira, com a universalização do acesso e a qualificação
da Seguridade Social.
Brasília, DF, 8 de outubro de 2007.
Assinam: As 64 entidades da Cartilha da Vale
Leia mais sobre o caso CVRD no site da Associação Brasileira
de Organizações não Governamentais.
http://www.abong.org.br